Terminou nessa quinta-feira, 28, em Petrolina-PE, o I Seminário Nacional de Inovação Inclusiva. Organizado em parceria entre Embrapa, WTT e ONU Mulheres Brasil, fez parte do Semiárido Show 2025, que está acontecendo entre 26 e 29 de agosto em área física da Embrapa Semiárido. Este evento já é tradicional e considerado um dos principais da região.
O seminário contou com a participação de diversos públicos, entre produtores rurais familiares, pesquisadores, técnicos, estudantes e representantes de ministérios, de instituições públicas e de entidades da sociedade civil. As discussões foram divididas por temáticas complementares e abordaram vários aspectos da inovação inclusiva, buscando conciliar conceitos e práticas numa construção conjunta.
A inovação inclusiva e as temáticas que giram em torno dela ou que a complementam são cada mais relevantes, na visão de Silvia Massruhá, presidente da Embrapa. “É importante não só para a Embrapa; é importante para a agricultura brasileira e para a agricultura familiar. Precisamos trabalhar de uma forma mais estruturada e sistêmica para ajudar na inclusão socioprodutiva e eu incluo a inclusão digital, para o pequeno e o médio produtor, para gerar inovação”, defende.
De acordo com ela, “hoje, áreas como inclusão digital, agroecologia, produtos de base biológica são essenciais para que se avance nas pesquisas buscando contribuir cada vez mais com a agregação de valor no sistema de produção para o agricultor, seja pequeno ou médio produtor”. Visão parecida tem Ana Euler, diretora-executiva de Inovação, Negócios e Transferência de Tecnologia da Embrapa, para quem “hoje, a agenda da ciência no mundo é uma agenda da pesquisa casada com a inovação”.
Ela contextualiza o momento da inovação no mundo como um todo, e o meio rural naturalmente se enquadra nesse cenário: “a minha mensagem é de que a inovação chegou para ficar, é algo que não tem como voltar atrás. E com um olhar de integração, de inovação tecnológica com inovação social para que a gente possa alcançar o que estamos definindo, e inclusive conceituando, que é a inovação transformadora”.
Parcerias
A realização de um evento com essa temática central é, de certa maneira, inovadora e procura ouvir e captar demandas tanto de públicos muitas vezes socialmente invisibilizados, como de instituições que trabalham com esses públicos. A construção e a manutenção de parcerias são fundamentais para definir assuntos a serem discutidos, para mobilizar pessoas e instituições e para articular a participação da maior quantidade possível de potenciais beneficiários dos resultados e dos encaminhamentos obtidos.
No seminário, que aconteceu na quarta (27 de agosto) o dia todo e na manhã de quinta, as colaborações efetivas da WTT, uma organização da sociedade civil, e da ONU Mulheres Brasil foram fundamentais. Gaston Kremer é diretor-executivo da WTT e relata que a organização “tem em seu cerne a inovação colaborativa, os processos de orquestração onde colocamos diversos tipos de conhecimento para produzir tecnologias de impacto socioambiental. Para nós, é chave trabalhar com uma instituição como a Embrapa, que é uma rede espalhada pelo território nacional que trabalha com diversos casos desse tipo de inovação. E com outros parceiros, presentes tanto no Semiárido Show como no seminário”.
Ele entende que é necessário permanecer discutindo inovação inclusiva em fóruns como o evento que aconteceu em Petrolina. “A continuidade é um dos elementos-chave para a gente não só transformar como política científica (para dar um exemplo do que estamos apontando no seminário), mas também um elemento de continuidade ativa dessa participação social, dessa construção entre organizações de setores diferentes da sociedade”, afirma.
E Larissa Cervi, gerente de projetos da ONU Mulheres Brasil, comemora: “estamos muito felizes com a parceria com a Embrapa de forma geral e também para a realização do seminário. Temos muitas expectativas de trabalho conjunto”. A temática discutida, prossegue, “é central para a gente: quando pensamos em inovação inclusiva, para nós isso passa por incluir as mulheres, passa principalmente por escutá-las para que elas possam também fazer parte dos processos de decisão da própria inovação, de como ela será implementada”.
A possível realização periódica do seminário, definida no final do evento, é um encaminhamento que comprova a necessidade e a relevância de se buscarem ações, projetos e parcerias em inovação inclusiva que de fato sejam executados e colaborem para a melhoria da qualidade da vida de agricultores familiares, populações tradicionais, povos originários, agricultores urbanos e periurbanos e outros públicos que, como esses, nem sempre conseguem acessar e se beneficiar do progresso científico trabalhado e conquistado juntamente com o saber popular. Muito trabalho e muita disposição pela frente. (Embrapa/TO)