Em 2025, o Brasil contabilizou 480.283 falhas na assistência à saúde, segundo levantamento da Organização Nacional de Acreditação (ONA), com base em dados fornecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), atualizados em 7 de janeiro de 2026.
Os hospitais concentraram a maior parte dos registros, com 428.231 eventos adversos, enquanto outros serviços de saúde, como clínicas e laboratórios, somaram 52.052 ocorrências. Embora a notificação desses eventos seja obrigatória, muitas instituições ainda deixam de registrar as falhas no sistema Notivisa, o que indica que os números reais podem ser ainda mais elevados.
Série de crescimento contínuo: em 2023, foram registrados 368.028 eventos adversos; em 2024, 425.951; e, em 2025, 480.283, o que representa um aumento em média de 12% em relação ao ano anterior.
Em 2025, entre os eventos adversos registrados, 249.230 ocasionaram danos leves aos pacientes, 50.710 resultaram em consequências moderadas, 10.458 em lesões graves e 3.158 evoluíram para óbito. Outros 117.715 mil eventos não causaram danos ao paciente.
Alguns números de eventos adversos (falhas) por tipo de incidente em 2025 no Brasil - ANVISA | |
Incidentes relacionados à assistência à saúde envolvendo cateter, sonda e outros dispositivos | 83.298 |
Lesão por pressão | 76.533 |
Incidentes relacionados a falhas em processos ou procedimento clínico | 55.166 |
Queda do paciente | 37.317 |
Falhas durante assistência à saúde | 31.142 |
Incidentes relacionados às falhas na identificação do paciente | 30.491 |
Falhas envolvendo cateter venoso | 25.099 |
Incidentes relacionados às falhas no cuidado /proteção do paciente | 20.516 |
No Tocantins foram registradas 5.806 notificações em eventos adversos.
Tocantins - Alguns números de eventos adversos (falhas) por tipo de incidente em 2025 - ANVISA | |
Incidentes relacionados às falhas em processo ou procedimento clínico | 1.387 |
Incidentes relacionados a falhas no cuidado/proteção do paciente | 842 |
Incidentes relacionados a falhas na hemodiálise | 637 |
Falhas durante a assistência à saúde | 589 |
Lesão por pressão | 354 |
Incidentes relacionados a falhas na identificação do paciente | 333 |
Incidentes relacionados à assistência à saúde envolvendo cateter, sonda e outros dispositivos | 304 |
Queda do paciente | 217 |
Falhas envolvendo cateter venoso | 73 |
Falhas envolvendo sondas | 18 |
Incidentes relacionados às falhas ocorridas em laboratórios clínicos ou patologia | 4 |
Quem identificou as falhas? Cerca de 202.157 mil eventos foram identificados por profissionais de saúde. Já os próprios pacientes notificaram 19.814 ocorrências; familiares, 2.988; outros pacientes, 1.429; cuidadores, 432, entre outros públicos.
“A notificação dos eventos adversos é fundamental para que o sistema de saúde evolua e se torne mais seguro para o paciente. É preciso reforçar que notificar não é sinônimo de punição, mas sim uma ferramenta essencial de aprendizado, melhoria contínua e fortalecimento da segurança do paciente. No processo de acreditação, analisamos todo o funcionamento da instituição para promover, diariamente, serviços mais seguros em toda a cadeia de atendimento”, afirma Gilvane Lolato, gerente-geral de Operações da ONA.
Entre as ocorrências mais graves, em todo o território nacional, destacam-se os incidentes relacionados ao uso de cateteres, sondas e outros dispositivos, totalizando 83.298 registros. Em seguida, aparecem as lesões por pressão, com 76.533 ocorrências divididas em três tipos: contusão (lesão dos tecidos moles causada por trauma), entorse (alongamento dos ligamentos) e luxação, considerada a mais grave por envolver o deslocamento do osso da articulação.
Os incidentes, relacionados às falhas em processo ou procedimento clínico, somaram 55.166 notificações. Também foram registradas 37.317 quedas de paciente; falhas durante a assistência à saúde com 31.142 episódios; além de 30.491 incidentes relacionados às falhas na identificação do paciente. As falhas envolvendo cateter venoso contabilizaram 25.099 e os incidentes relacionados às falhas no cuidado/proteção do paciente resultaram 20.516 notificações.
“A identificação correta do paciente é o primeiro e mais importante passo para um atendimento seguro. Quando esse processo falha logo no início, todo o cuidado prestado fica comprometido, aumentando significativamente o risco de eventos adversos graves”, alerta Gilvane.
Faixas etárias mais afetadas com atendimento à assistência à saúde – Os homens foram os mais afetados, respondendo por 50,92% dos eventos adversos, o equivalente a 244.562 registros. Entre as mulheres, foram contabilizadas 235.721 falhas. “A maioria desses eventos adversos é evitável. Processos bem estruturados, corretamente executados e rigorosamente seguidos fazem toda a diferença para reduzir riscos e proteger os pacientes”, reforça Gilvane.
A faixa etária mais impactada foi a de 66 a 75 anos, com 85.164 falhas registradas. Em seguida, aparecem pacientes entre 56 e 65 anos, com 73.492 ocorrências, e entre 76 e 85 anos, com 68.101 registros.
Fonte: Anvisa
Importância do processo de acreditação
Há diversas medidas capazes de reduzir significativamente esses erros e, em muitos casos, evitar óbitos. Entre elas, destaca-se a implementação de processos de acreditação, que permitem às instituições de saúde adotar protocolos mais rigorosos de segurança, padronizar processos e fortalecer a cultura de qualidade assistencial.
“A aplicação dos padrões de acreditação atua como uma barreira estratégica contra a ocorrência de eventos adversos, ao transformar a gestão hospitalar por meio de processos centrados na segurança do paciente. Essa metodologia estabelece uma estrutura de qualidade que permite às instituições de saúde antecipar falhas antes que elas atinjam o paciente, oferecendo mais segurança”, afirma a gerente da ONA.
A metodologia baseia-se na padronização rigorosa, considerada o principal antídoto direto para a variabilidade clínica - uma das maiores causas de erros assistenciais. De acordo com Gilvane, diversas barreiras de segurança podem ser implementadas para garantir a segurança do paciente. “O padrão, por exemplo, exige protocolos de dupla verificação, assegurando que a identificação correta seja o alicerce de qualquer procedimento, mitigando falhas como a troca de nomes”, ressalta.
Outro fator que pode gerar evento adverso é a gestão incorreta dos dispositivos invasivos. “Para evitar esses dados, a metodologia induz à adoção de feixes de intervenção (bundles) no manuseio de cateteres e sondas, reduzindo significativamente os incidentes relacionados a esses dispositivos através da técnica asséptica e do monitoramento contínuo”, explica a gerente.
A acreditação promove uma mudança cultural profunda. “Ao invés de ocultar o erro, a metodologia estimula a cultura justa, onde a notificação é utilizada como um sensor de qualidade para o aprendizado organizacional. Isso permite que a instituição analise a causa raiz dos problemas e redesenhe processos frágeis”, finaliza.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que ocorram anualmente cerca de 134 milhões de eventos adversos em hospitais de países de baixa e média renda, resultando em aproximadamente 2,6 milhões de mortes.
Cenário de acreditação no Brasil - Atualmente, das mais de 380 mil organizações de saúde registradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), 2.329 são acreditadas. Deste total, a ONA é responsável por 74% das certificações, o que corresponde a mais de 1.800 instituições, sendo 450 hospitais. Dos 380 mil serviços de saúde cadastrados no CNES, 0,45% das instituições de saúde são certificadas no Brasil.
Concentração de instituições acreditadas pela ONA: Atualmente, 61% das instituições acreditadas pela ONA estão concentradas na região Sudeste. O Sul é responsável por 12,7%; Nordeste 12,1%; Centro-Oeste, 11,4% e Norte por 2,8%.
Diversos perfis com a acreditações ONA: Das mais de 2 mil acreditações ONA, 68,7% são de gestão privada; 22,2% de gestão pública; 8,3% filantrópica e 0,1% de gestão militar. (LN Comunicação)

