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Opinião

Fernando Dulinski é CEO da Cyber Economy Brasil, hub estratégico com foco em acelerar a maturidade cibernética no Brasil.

Fernando Dulinski é CEO da Cyber Economy Brasil, hub estratégico com foco em acelerar a maturidade cibernética no Brasil. Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Fernando Dulinski é CEO da Cyber Economy Brasil, hub estratégico com foco em acelerar a maturidade cibernética no Brasil.   Fernando Dulinski é CEO da Cyber Economy Brasil, hub estratégico com foco em acelerar a maturidade cibernética no Brasil.

A economia digital brasileira cresceu de forma acelerada nos últimos anos. E, com ela, a superfície de risco. Hoje, o país se consolidou como um dos principais alvos de ataques cibernéticos no mundo, movimentando prejuízos bilionários que atingem os diversos níveis de negócios. Mas, embora o tema tenha avançado na agenda nacional, o Brasil ainda enfrenta um desafio fundamental: transformar capacidades técnicas em maturidade estratégica.

O cenário interno expõe uma assimetria significativa. Enquanto grandes empresas brasileiras já operam com estruturas de segurança que se aproximam das adotadas por mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, a base de PMEs, maioria na economia brasileira, permanece dramaticamente vulnerável. Essa fragilidade não afeta apenas cada negócio isoladamente; ela compromete cadeias inteiras de valor, criando riscos sistêmicos que podem desestabilizar setores inteiros.

Estudos mostram que, embora tenhamos avançado em tecnologia e controles, ainda falta dar o passo mais difícil: transformar a cibersegurança em pauta de negócio, e não apenas de infraestrutura. Enquanto o tema continuar restrito às áreas técnicas, o Brasil seguirá vulnerável. Elevar a discussão ao nível decisório executivo é essencial para reduzir riscos sistêmicos e aproximar o país das economias mais maduras.

Quando comparamos o Brasil com mercados líderes, a distância se torna mais evidente. Países que historicamente priorizam segurança digital, como Reino Unido, Alemanha, Israel e Singapura, avançaram de forma agressiva na integração entre políticas públicas, incentivos regulatórios e cultura corporativa orientada ao risco. Esses ecossistemas estabelecem padrões mínimos claros, fortalecem mecanismos de resposta a incidentes e, sobretudo, têm conselhos e lideranças preparados para lidar com ameaças cada vez mais estratégicas. Globalmente, segundo a PwC, 76% dos conselhos já discutem cibersegurança de forma recorrente. No Brasil, apenas 54% fazem o mesmo, demonstrando uma lacuna de governança que ainda precisa ser resolvida.

A diferença também aparece no impacto econômico dos incidentes. Segundo o estudo de 2025 da IBM, o custo médio global de uma violação atingiu US$ 4,88 milhões, o maior já registrado. No Brasil, o prejuízo médio chegou a R$ 7,19 milhões, com aumento de 6,5% em relação ao ano anterior, colocando o país entre os mercados mais afetados da América Latina. Não é apenas um problema técnico, mas um risco direto à competitividade.

Essa transformação reforça que a cibersegurança deixou de ser um tema operacional para se tornar um indicador estratégico de liderança. É uma tendência que deve moldar o cenário global e que o Brasil precisa acompanhar para não perder competitividade.

Mas, já estamos diante de um ponto de virada. O ciberespaço deixou de ser apenas uma camada técnica da infraestrutura nacional para se tornar um componente essencial da soberania, da produtividade e da confiança na economia. À medida que tensões geopolíticas se intensificam e ataques se tornam mais sofisticados, o país precisa decidir se irá liderar a construção da nova cibereconomia ou se continuará assistindo à erosão gradual de sua segurança econômica.

A oportunidade está clara: fortalecer a governança, capacitar conselhos, reduzir a vulnerabilidade das PMEs, adotar métricas estratégicas e integrar esforços entre governo, empresas e academia. As nações que liderarem essa agenda serão também as que definirão os rumos da inovação, da competitividade e do crescimento nas próximas décadas. O Brasil tem potencial para estar entre elas, mas precisa acelerar.

*Fernando Dulinski é CEO da Cyber Economy Brasil, hub estratégico com foco em acelerar a maturidade cibernética no Brasil.