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Economia

Foto: Freepik/pressfoto

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Crescer por meio de fusões empresariais é uma estratégia cada vez mais adotada por empresas brasileiras que buscam ampliar mercado, reduzir custos e ganhar competitividade. No entanto, dados do próprio mercado de fusões e aquisições (M&A) indicam que entre 70% e 90% dessas operações não entregam o valor inicialmente projetado, principalmente por falhas no valuation e na estrutura jurídica e societária do negócio. 

Na prática, muitas fusões são tratadas apenas como operações financeiras, quando deveriam ser conduzidas como projetos estratégicos de longo prazo. Um valuation bem estruturado não se limita à definição do preço: ele identifica riscos ocultos, valida premissas de crescimento e contribui para uma integração mais segura entre as empresas envolvidas. 

Para o advogado Thércio Cavalcante, especialista em Direito Empresarial, um dos erros mais recorrentes está na negligência da governança societária durante o processo. "A fusão precisa ser pensada como um projeto estratégico. Quando não há uma análise jurídica profunda, surgem conflitos entre sócios, divergências de gestão e insegurança nas decisões. Isso enfraquece a empresa e pode, inclusive, inviabilizar o negócio", afirma. 

Segundo o especialista, a ausência de regras claras sobre poder de decisão, distribuição de resultados e mecanismos de saída de sócios está entre as principais causas de disputas internas após a conclusão das fusões. "O processo envolve muito mais do que a soma de ativos e faturamento. Exige uma análise detalhada de contratos, passivos, obrigações fiscais, estrutura societária e modelo de gestão", completa. 

Antes de formalizar uma fusão, é fundamental que as empresas realizem uma análise completa das organizações envolvidas, considerando aspectos fiscais, trabalhistas e societários, além da definição de regras claras de governança. Quando o planejamento jurídico acompanha a estratégia empresarial, o processo se torna mais seguro, reduz o risco de conflitos internos e aumenta significativamente as chances de geração de valor sustentável no longo prazo.  (Precisa/AI)