A alimentação fora de casa em Palmas encerrou o primeiro trimestre de 2026 com inflação de 1,6%, um resultado moderado, mas com um protagonista claro: os lanches, que dispararam 5,05% em média, pressionando o custo do consumo cotidiano fora do lar. Os dados são do Núcleo Aplicado de Estudos e Pesquisas Econômico-sociais (NAEPE) e revelam um cenário de relativa estabilidade geral — com exceção de itens populares, que já pesam no bolso do consumidor palmense.
O mais recente levantamento do Naepe aponta que, apesar da inflação controlada no conjunto da alimentação fora de casa, o comportamento dos preços não foi homogêneo. Enquanto refeições e bebidas apresentaram variações discretas, os lanches concentraram a maior pressão inflacionária do período. Na prática, o consumidor sentiu no bolso principalmente na hora do lanche. O misto simples liderou os aumentos, com alta de 5,98%, seguido pelo pão de queijo (5,46%) e o pastel (4,75%) — itens tradicionais e amplamente consumidos no dia a dia.
Por outro lado, as refeições tiveram comportamento praticamente estável. O reajuste médio foi de apenas 0,31%, com destaque para o prato feito (PF), que subiu 0,86%, enquanto a refeição por quilo registrou leve alta de 0,39%. Já um dos pratos regionais mais emblemáticos, o chambari, teve variação de 0,68%. No segmento de bebidas, a inflação também foi contida. O refrigerante em lata (350 ml) apresentou aumento de 1,36%, seguido da água (500 ml) com 0,82%, enquanto os demais itens mantiveram estabilidade.
Para o professor de economia do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) e diretor-geral do Naepe, Autenir de Rezende, o resultado do trimestre exige uma leitura cuidadosa: “É importante considerar que estamos falando de um trimestre que vai de janeiro a março, período que ainda não reflete com clareza os impactos mais recentes, como a guerra internacional e a alta dos combustíveis. Por outro lado, esse resultado captura a deflação observada nos alimentos básicos ao longo do ano passado, o que ajudou a manter os preços mais controlados no início de 2026".
Segundo o economista, o dado mais relevante está justamente na composição da inflação: “Quando os lanches sobem acima da média, isso indica uma pressão sobre o consumo rápido e cotidiano, que afeta diretamente trabalhadores e estudantes. É uma inflação mais sensível socialmente".
Dados de mercado
O levantamento também revela o comportamento dos preços médios na capital:
- Refeição por quilo (média geral): R$ 83,66
- Preço médio ajustado: R$ 72,19
Nota: o valor ajustado desconsidera estabelecimentos de alto padrão.
NAEPE - Os dados completos da pesquisa podem ser acessados no site naepepesquisas.com e no perfil oficial do Núcleo no Instagram (@naepe.pesquisas). O estudo conta com apoio do Ministério Público do Tocantins (MPTO), da Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (FAPT), do PET Economia da UFT e do Conselho Regional de Economia do Tocantins (Corecon-TO).

