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Economia

O número de empresas em recuperação judicial no Brasil bateu recorde em 2025. Segundo dados do Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian, 2.466 empresas recorreram à Justiça para tentar reorganizar dívidas e evitar a falência. O volume representa uma média de 103 CNPJs entrando mensalmente em recuperação judicial no país.

O avanço também foi registrado no número de processos protocolados. Foram 977 pedidos de recuperação judicial ao longo do ano, alta de 5,5% em relação ao período anterior. Especialistas apontam que juros elevados, crédito mais restrito e o aumento do endividamento empresarial, que já soma R$ 2,3 trilhões entre companhias de capital aberto, estão entre os principais fatores que pressionam o caixa das empresas brasileiras.

De acordo com o advogado empresarial Thércio Cavalcante, o cenário também reforça a importância do planejamento societário, da governança corporativa e da gestão preventiva de passivos. “Hoje a recuperação judicial deixou de ser vista apenas como uma medida extrema e passou a ser uma ferramenta estratégica de reorganização empresarial. A nova legislação trouxe mecanismos mais modernos de negociação e deu mais segurança para empresas e credores buscarem soluções viáveis antes da falência”, afirma.

Com as alterações promovidas pela Lei nº 14.112/2020, a chamada Lei de Recuperação de Empresas e Falências (LREF) passou por uma modernização significativa. Entre as principais mudanças estão a possibilidade de credores apresentarem planos alternativos de recuperação, o incentivo à mediação e conciliação, além da ampliação da segurança jurídica para novos financiamentos durante o processo de recuperação judicial.

Na prática, a recuperação judicial permite que empresas renegociem dívidas, reorganizem pagamentos, vendam ativos e busquem crédito para manter a operação funcionando. Já nos casos em que a recuperação é considerada inviável, a legislação prevê a falência, com liquidação dos ativos para pagamento dos credores conforme ordem legal de prioridade.

As mudanças também modernizaram os processos falimentares, com foco em acelerar a venda de ativos, reduzir burocracias e tornar mais eficiente a liquidação patrimonial das empresas. Para especialistas, o cenário reforça a importância da gestão preventiva, da governança corporativa e do planejamento financeiro como ferramentas essenciais para evitar o agravamento das crises empresariais. (Precisa/AI)