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Cultura

Foto: Rafael Cardoso

Foto: Rafael Cardoso

O audiovisual produzido no Tocantins ganha projeção nacional com a estreia da série documental Visto para Amar, na programação da TV Brasil. A obra, dirigida pelos cineastas tocantinenses Kécia Garcia Ferreira e Wertem Nunes, aborda histórias de pessoas LGBTQIA+ refugiadas que precisaram deixar seus países de origem em busca de liberdade, dignidade e do direito de existir.

Com dez episódios de 26 minutos, a série foi desenvolvida por meio do edital Prodav TVs Públicas e reúne relatos de refugiados vindos de países como Tunísia, Colômbia, Ucrânia, Moçambique, Marrocos, Síria, Venezuela e Rússia. As narrativas revelam experiências marcadas pela perseguição motivada por identidade de gênero e orientação sexual, além dos processos de reconstrução de vida no Brasil.

A estreia acontece no mês em que é celebrado o Dia Internacional de Luta contra a LGBTfobia, 17 de maio, e reforça a importância do audiovisual como ferramenta de reflexão sobre direitos humanos, diversidade e acolhimento.

Segundo a produtora e diretora Kécia Garcia Ferreira, o processo de realização da série foi marcado por desafios técnicos, culturais e emocionais. “Foi um desafio produzir e dirigir a série ao mesmo tempo. É uma série falada em diversas línguas, com pessoas advindas de diferentes países, com trajetórias e histórias que nos atravessam de uma forma muito marcante. Pra mim, é uma série sobre o direito de existir no mundo com dignidade, independente de quem somos”, afirma.

Foto: Rafael Cardoso

Para o diretor Wertem Nunes, um dos principais desafios da produção foi construir uma linguagem cinematográfica que respeitasse a vivência e os limites dos personagens retratados. “Um dos grandes desafios da direção foi construir uma estética cinematográfica sem interferir na realidade dessas pessoas. A gente precisava respeitar os espaços, os limites e o tempo de cada personagem, entendendo que carregam histórias muito delicadas e profundas. Nosso trabalho foi criar um ambiente de confiança para que eles mostrassem, diante da câmera, aquilo que têm de mais verdadeiro e potente”, destaca.

O primeiro episódio apresenta a história de Jade, um homem transgênero nascido na Tunísia, que encontrou no Brasil a possibilidade de viver sua identidade de forma segura e legalizada. Ao longo da série, os personagens compartilham experiências de deslocamento, resistência e reconstrução de vida.

A chegada de Visto para Amar à grade da TV Brasil fortalece ainda mais a visibilidade do audiovisual tocantinense em rede nacional, consolidando o estado como um importante pólo emergente de produção cultural e cinematográfica da região Norte. A obra contou com recursos públicos geridos pela Agência Nacional do Cinema - ANCINE, por meio da Chamada Pública BRDE/FSA PRODAV – TVS PÚBLICAS – 2018.