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Mercado de carregadores domésticos acelera e transforma garagens de casas e condomínios em novos “postos particulares” de abastecimento

Mercado de carregadores domésticos acelera e transforma garagens de casas e condomínios em novos “postos particulares” de abastecimento Foto: Divulgação

Foto: Divulgação Mercado de carregadores domésticos acelera e transforma garagens de casas e condomínios em novos “postos particulares” de abastecimento Mercado de carregadores domésticos acelera e transforma garagens de casas e condomínios em novos “postos particulares” de abastecimento

O carro eletrificado deixou de ser promessa no Brasil e se tornou um dos principais motores de transformação da indústria automotiva nacional. O crescimento acelerado da eletromobilidade entre 2025 e 2026 não apenas consolidou os veículos eletrificados no mercado brasileiro, como também segue impulsionando outra frente de negócios: a infraestrutura de recarga residencial.

Segundo dados da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), de janeiro a maio de 2026 foram emplacados cerca de 167 mil veículos eletrificados no País, um salto de 135,21% em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, o setor já havia batido recorde histórico com mais de 220 mil veículos eletrificados vendidos, representando aproximadamente 13% das vendas de veículos leves no Brasil.

Com a expectativa de novos recordes, 2026 tem o potencial para ultrapassar a marca de 300 mil veículos eletrificados vendidos no País, a frota nacional desses modelos já supera 300 mil unidades em circulação. Esse avanço acelera a pressão sobre a infraestrutura pública de recarga e impulsiona, ao mesmo tempo, a demanda por soluções domésticas cada vez mais eficientes, seguras e acessíveis.

Mesmo com a expansão dos eletropostos públicos, que já somam mais de 21 mil pontos ativos no Brasil, o carregamento residencial vem se consolidando como a alternativa mais prática, econômica e segura para o consumidor.

“Estamos vivendo uma mudança estrutural na relação do brasileiro com o automóvel. O abastecimento deixa de acontecer exclusivamente nos postos e passa a fazer parte da rotina dentro de casa. A garagem está se transformando em um posto particular”, afirma Júnior Miranda, CEO da GreenV, empresa que já instalou mais de 15 mil pontos de recarga residenciais pelo Brasil e é líder neste segmento.

Para Miranda, o avanço da eletromobilidade vem impulsionando um mercado bilionário no País. “O mercado de recarga residencial cresce na mesma velocidade dos veículos elétricos. Hoje já movimenta cerca de R$ 1 bilhão no Brasil e a tendência é ultrapassar R$ 3 bilhões nos próximos anos. É um ecossistema inteiro sendo criado ao redor da mobilidade elétrica”, destaca o executivo.

Infraestrutura elétrica passa a ser prioridade nas residências

Com a popularização dos carros eletrificados, cresce também o interesse dos consumidores em entender como adaptar a infraestrutura elétrica das residências para receber os carregadores automotivos.

Atualmente, existem diferentes níveis de carregamento doméstico. Uma tomada convencional, com um carregador portátil de 1,8 kW, por exemplo, pode levar mais de 24 horas para carregar totalmente um veículo. Já os chamados wallboxes, carregadores de parede que exigem instalação adequada, operam em potências de 7,4 kW, 11 kW e até 22 kW, reduzindo o tempo de recarga para algo entre 4 e 8 horas, dependendo do modelo do automóvel.

“Ainda existe muita improvisação no mercado, e isso pode comprometer tanto a segurança quanto a eficiência do carregamento. O ideal é sempre realizar uma avaliação técnica da infraestrutura elétrica antes da instalação”, alerta Júnior Miranda.

O custo também começa a ficar mais acessível à medida que a tecnologia ganha escala. Hoje, os carregadores residenciais variam entre R$ 2.500 e R$ 8.000, enquanto os custos de instalação elétrica ficam entre R$ 2.000 e R$ 5.000, dependendo da complexidade do projeto.

Economia, sustentabilidade e energia solar impulsionam adesão

Além da praticidade, o principal atrativo continua sendo o custo operacional reduzido. Mesmo com aumento no consumo de energia elétrica da residência, o custo por quilômetro rodado dos veículos elétricos permanece significativamente menor em comparação aos modelos movidos a combustíveis fósseis.

Outro movimento crescente é a integração dos carregadores com sistemas de energia solar residencial, tendência que vem fortalecendo o conceito de autonomia energética nas casas brasileiras. “O consumidor percebe que o carro elétrico não é apenas uma mudança de tecnologia, mas uma transformação completa na forma de consumir energia. Quando combinamos mobilidade elétrica com energia solar, o ganho econômico e ambiental se multiplica”, afirma o empresário.

Tecnologia na rotina dos brasileiros

A rápida expansão da eletromobilidade mostra que o carro elétrico deixou de ser um produto de nicho para ocupar espaço no cotidiano da população brasileira. Mais do que uma tendência automotiva, o movimento redefine hábitos, infraestrutura urbana e até o planejamento das residências. Com planejamento adequado, segurança elétrica e soluções inteligentes de recarga, a garagem doméstica passa a assumir um novo papel: o de abastecer a mobilidade do futuro  que já começou.

“Estamos diante de uma transformação sem volta. O carro elétrico deixou de ser uma aposta do futuro para se tornar parte da vida real dos brasileiros. E, junto com essa mudança, cresce também a necessidade de infraestrutura inteligente, segura e acessível dentro das residências. A mobilidade elétrica começa na garagem de casa. Quem entender isso agora estará conectado ao novo comportamento do consumidor e ao futuro da energia no Brasil”, finaliza Miranda.