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Cultura

Foto: Angel Lima

Foto: Angel Lima

No Dia Nacional do Cinema Brasileiro, celebrado nesta sexta-feira, 19 de junho, o Tocantins tem um motivo especial para reconhecer a força transformadora do audiovisual. Logo após a cerimônia do Oscar 2026, em que foi indicado ao prêmio de Melhor Ator, o ator Wagner Moura desembarcou em Palmas para protagonizar o longa-metragem “O Aroma da Pitanga”, produção internacional filmada integralmente no Estado.

O projeto marca um capítulo histórico para o audiovisual tocantinense. A obra é uma coprodução da Cunhã Porã Filmes, produtora tocantinense da cineasta Eva Pereira, com a Bananeira Filmes, proponente do projeto, e a Paris Entretenimento, reunindo ainda parcerias entre Brasil, Argentina, França e Holanda. Dirigido pelo renomado cineasta argentino Lisandro Alonso, o filme é uma releitura de “Gosto de Cereja” (Ta’m-e Gilass), clássico do cineasta iraniano Abbas Kiarostami, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. As filmagens aconteceram no mês de abril e movimentaram intensamente Palmas e outras locações tocantinenses.

Para a cineasta Eva Pereira, da Cunhã Porã Filmes, o Dia Nacional do Cinema Brasileiro ganha ainda mais significado diante da experiência vivida no Tocantins. “Celebrar o Dia Nacional do Cinema Brasileiro falando de uma produção dessa dimensão realizada no Tocantins é reconhecer que o nosso Estado tem território, luz, paisagens, profissionais e potência criativa para receber grandes projetos. ‘O Aroma da Pitanga’ não foi apenas uma filmagem que passou por aqui. Foi um marco para mostrar que o Tocantins pode estar no mapa das grandes coproduções nacionais e internacionais”, afirma Eva.

Foto: Angel Lima

Internacional

A presença de Wagner Moura no Tocantins também ampliou a visibilidade do projeto. O ator chegou ao Estado em um momento de grande reconhecimento internacional, após conquistar o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes em 2025, vencer o Globo de Ouro em 2026 e receber indicação ao Oscar de Melhor Ator, por sua atuação em “O Agente Secreto”.

Esse contexto fez com que as filmagens de “O Aroma da Pitanga” despertassem atenção nacional e internacional, colocando o Tocantins em evidência não apenas como cenário, mas como território capaz de abrigar uma cadeia produtiva complexa, profissional e estratégica para o cinema brasileiro.

Segundo Eva Pereira, a chegada de uma produção dessa envergadura reforça a importância de o Estado compreender o audiovisual como setor econômico.

“Fazer cinema é caro, muito caro. Mas o cinema também devolve investimento em forma de emprego, renda, formação, circulação de recursos e projeção territorial. Cada diária de filmagem movimenta hotéis, restaurantes, transporte, alimentação, locações, comércio, serviços técnicos e muitos profissionais. O audiovisual é cultura, mas também é indústria, desenvolvimento e oportunidade”, destaca a cineasta.

Mais de 300 empregos diretos e indiretos no Tocantins

Durante os meses de preparação e filmagem, entre janeiro e maio de 2026, a produção gerou mais de 300 empregos, entre diretos e indiretos no Tocantins. A equipe contou com aproximadamente 50 profissionais vindos de fora do Estado, entre técnicos especializados e profissionais da área criativa. Todo o restante da mão de obra foi formado por trabalhadores tocantinenses, absorvidos em diferentes áreas da cadeia produtiva do cinema.

A movimentação envolveu profissionais da produção, transporte, segurança, brigadistas, bombeiros civis, camareiras, equipes de alimentação, apoio operacional, elenco, elenco de apoio, figuração, fornecedores e prestadores de serviços diversos. Hotéis, restaurantes, supermercados, bares, postos de combustíveis, empresas de transporte, locadoras de veículos, serviços de alimentação, turismo e comércio local estiveram entre os setores diretamente impactados pela realização do longa.

A área de alimentação também foi fortemente impactada, com contratação de serviços de catering, refeições, compras em fornecedores locais e atendimento às demandas de uma equipe numerosa ao longo de todo o período de preparação e filmagem. Responsável pelo serviço de cattering, Valéria Pires, afirmou que ter a oportunidade de servir a produção estrelada por Wagner Moura tornou tudo ainda mais especial. “Estar tão próximo de uma grande produção cinematográfica e acompanhar de perto o trabalho de um dos maiores atores do mundo foi inspirador. Ver o profissionalismo, a dedicação e a paixão de toda a equipe envolvida fez com que essa experiência se transformasse em algo muito maior do que um trabalho.”

Sócio proprietário das Pedreiras Gramprata  e RCM (principais locais do filme), o empresário Rubens Malaquias, afirmou ser uma honra ter sido um dos apoiadores. “Para nós foi uma honra e receber uma produção dessa foi incrível e acredito que todo empresário tocantinense deveria investir nas produções audiovisuais locais, tenho a certeza de que já será um produto valioso para concorrer ao Oscar”, disse.

No transporte, a produção mobilizou carros de passeio, veículos executivos, caminhões, caminhonetes, micro-ônibus, vans e ônibus, exigindo uma estrutura robusta de logística para deslocamento de equipe técnica, equipe artística, equipamentos, figurinos, materiais de arte e apoio às locações. O motorista Paulo Neres de França participou pela primeira vez de uma produção audiovisual e relatou ter sido uma surpresa e uma das maiores experiências da vida.

Cinema como cadeia produtiva

Para além da presença de um grande nome do cinema nacional, o projeto deixou evidente que uma produção audiovisual movimenta uma rede ampla de profissionais e empresas. Cada set de filmagem envolve planejamento, técnica, logística, segurança, alimentação, transporte, hospedagem, comunicação, arte, figurino, maquiagem, som, luz, direção, produção e pós-produção.

A classe artística tocantinense também teve participação expressiva, com artistas do Estado integrando o elenco, o elenco de apoio, a figuração e outros departamentos criativos. A experiência aproximou profissionais locais de uma dinâmica internacional de produção, contribuindo para a qualificação da mão de obra e para o fortalecimento do setor audiovisual no Tocantins. 

Turismo, paisagens e promoção do Tocantins

O impacto da produção também chegou ao turismo. Durante as folgas, parte da equipe que veio de outros estados e países conheceu praias de Palmas e atrativos turísticos do Tocantins, como Taquaruçu, Miracema, Praia do Paredão, Praia do Funil, Jalapão e Serras Gerais. Para isso, a produção contou com apoio da Prefeitura de Palmas, por meio da Fundação Cultural de Palmas, especialmente com parte das passagens aéreas. Na esfera estadual, houve apoio com articulações institucionais e interlocuções via Casa Civil, Ageto, Dertins, Secretaria de Estado da Educação, Polícia Militar e Secretaria de Estado da Cultura.

Locações, bases de produção e apoio de empresas locais

Os custos com locações e bases de produção para os sets de filmagem também movimentaram valores importantes. Algumas locações alcançaram cifras expressivas. No Mirante do Limpão, por exemplo, a produção desembolsou R$ 40 mil por quatro dias de filmagem à Agropecuária Umuarama, dos empresários Roberto Pires e Luciano Rosa. Ao mesmo tempo, o projeto contou com a colaboração de empresas, instituições e pessoas que disponibilizaram espaços gratuitamente ou ofereceram apoio estrutural à produção. Entre os exemplos está uma mineradora de calcário, que serviu como uma das principais locações do filme, além de outros espaços privados utilizados como bases de apoio e hospedagem.

O legado para o audiovisual tocantinense

O principal legado deixado por “O Aroma da Pitanga” é a consolidação do Tocantins como território estratégico para o audiovisual brasileiro. A produção evidenciou que o Estado tem potencial para receber filmagens nacionais e internacionais, gerar empregos, formar profissionais, aquecer a economia criativa e promover suas paisagens de forma qualificada.

Para Eva Pereira, a experiência também reforça a necessidade de políticas públicas permanentes para o setor, incluindo incentivos, editais, fundos, formação técnica e mecanismos que facilitem a atração de novas produções.

“O Tocantins precisa olhar para o audiovisual como política de desenvolvimento. Não estamos falando apenas de cinema como arte, mas de uma cadeia produtiva capaz de transformar realidades. O que aconteceu com ‘O Aroma da Pitanga’ prova que temos capacidade”, defende Eva.

Dia Nacional do Cinema Brasileiro

Celebrado em 19 de junho, o Dia Nacional do Cinema Brasileiro faz referência aos primeiros registros de imagens em movimento realizados no Brasil, em 1898. A data valoriza a história, a memória e a produção cinematográfica nacional.

Sobre a Cunhã Porã Filmes

A Cunhã Porã Filmes é uma produtora tocantinense conduzida pela cineasta Eva Pereira, dedicada ao desenvolvimento de projetos audiovisuais comprometidos com identidade, território, memória, diversidade e fortalecimento da produção regional.